Realidade ofuscada.
Por onde as máscaras da humanidade se entrelaçam. Por onde tanta hipocrisia misturada moldura rostos. Eis o silêncio já conhecido. Expressões carregadas que fortalecem o olhar enfraquecido. Relações mútuas de sarcasmo e indiferença. Deixa a vida correr… sossega a impaciência. As tuas, as nossas imperfeições. Ao enterrarmos o futuro, a impossibilidade de seguir em frente vem à tona. O coerente da sociedade soa como o “grito silencioso” no vazio. Não há sinceridade. Dentre os monólogos de cada um, apenas o anseio de verdade. No meio da confusão, onde a gente se ver só. Do conflito e da luta pela vitória; nos vemos tortos na escuridão. Tombando na vida. Rindo e sentindo a sensação de cair inúmeras vezes em meio a multidão. A esperança de ser poupado da bagunça. Talvez os tropeços da caminhada almejam a salvação. Mas eu vi, eu nos vi esquecer dos passos aprendidos. E então caímos mais uma vez na vontade - apenas - de viver. Viver o quê? A realidade que nunca transparece.
I.
Singularidade.
Entre metáforas e hipérboles. Dentre vazios. Dentre sons. Música! Silêncio…
Estranho ser irrelevante. Estranho a sutileza. Estranho. Aleatoriamente, o vazio do som pára pra monologar. Eis a infinidade. Eis a não-explicação. Por isso musico, também porque nem me alcanço aqui dentro. Música! Pra quê? Liberdade!
A coexistência de seguranças e incertezas nos faz escutá-las. De gênero independente. Singular. A improvisada ao criticar remete ao fato de que definição não existe. Linguagem com ou sem sentido. Inundação, com serenidade, traz paz. Muda o mundo. As pessoas. Música!
I.
Digressões.
E foi assim. Desse jeito. Caí nesse lugar que não lembrava mais. Onde a nossa ingenuidade trilhava os caminhos a serem percorridos. Eu e você, no passado. Sem tréguas. Aqueles foram dias incomuns, sem a vaidade das minhas idealizações, sem dias só meus. Foram dias nossos.
Imaginar nunca havia sido sufocante. Mas talvez seja melhor que os meus pensamentos se percam nessa imensidão, porque assim, eles não poderão ser transcritos. E se me indagarem o porquê de escrever? Ah, meu bem! Faz tanto tempo que não escrevo com essa liberdade. E quando escrevo, sou a maior delas.
Não venha me perguntar, jamais, do quarto vazio e das malas feitas. Não acredito em separação. Não acredito em promessas. Não nas nossas. Aquelas… todas em vão! Que o vento arrancou. A quietude, porém, diz tudo. Ou nada. Os anseios e receios refletem a insegurança. E, quem me dera, começar pelo fim e terminar pelo meio. Quem me dera, eu e você, no presente, juntos.
I.
Monologando.
Entre erros e acertos a gente vai trilhando nosso caminho, assim, caminhando torto mesmo. Entre dialéticas e entre os objetivos traçados a gente aprende. Em algum lugar, talvez nem tão distante, você entenda.
O meu “eu te amo” passou a ficar subentendido: “Não importa o que você decidir, meu sentimento vai continuar intacto.” Arriscar-se. Ninguém nunca falou que seria fácil. Saio por aí tentando buscar respostas. Quero olhar pra você e ver que o brilho dos teus olhos não se diluiu nas lágrimas. Quero ter a certeza de que você guardou as nossas coisas no seu bolso quando foi embora. Não quero ser lembrança, não quero ser experiência. Ainda dói ver as barreiras no caminho. Mas do que adianta tentar destruí-las se o medo irá construir mais? Esperar. Temer. Esperar mais. Ter paciência. Ter dúvidas.
Lembro de você me dizendo que não é preciso ter pressa. Eu ficava remoendo os nossos “porquês”, mas no fundo eu sabia que não precisava de tantas explicações pra compreender os seus eufemismos. Porém a gente continua… vive! (ou deixa de viver). Dentre os segredos revelados, a agonia e o desespero em saber. Mas… saber o quê? Saber como aliviar essa infinidade. Ah, como eu queria saber!
I.
Carregando mochilas.
Um dia eu ouvi uma pessoa dizer que não vale a pena chorar ou se desesperar por alguém que quebrou o seu coração, porque, por mais que demore, há sempre outro alguém que virá consertá-lo.
Eu carreguei a saudade numa mochila cheia de esperança por anos, esperei, esperei… até que um dia essa mochila “se partiu”. E quando isso aconteceu, tudo que estava dentro dela foi levado pelo vento. Bem, dizem que o vento traz as coisas de volta. Mas sabe?! Eu prefiro que não. Nesse dia eu fui feliz por um momento, achei graça em coisas que não me interessavam há um tempo. E aí eu senti que tinha acordado de um sonho sem fim, daqueles que te prende por mais de noites. Eu finalmente acordara mais uma vez pra vida. Aquele vazio havia ido embora com as esperanças levadas pelo vento. Lembrei-me de algo que ouvira, algo como: “Pra que fugir? Por que fugir?” Hesitei por um momento.
Talvez meu coração havia sido consertado, talvez não. Talvez os inúmeros cacos estilhaçados haviam sido colados. Talvez não. Finalmente você apareceu. Mas você, quem era você? Você me fitava de modo atento, sombrio. Percebi, por um instante, que fora você quem juntou os cacos estilhaçados.
Eu sempre fugi, sempre tive medo. Porém tu sempre me fizestes ficar. Passava horas e mais horas tentando me convencer de que ficar poderia ser bom. E que ficar poderia ser até melhor do que ir embora. As tentativas pareciam em vão. Mas agora vejo que não. Você suplicava por mim. E eu suplicava por ele. Bem, pelo menos até aquele dia.
Aprendi a não desperdiçar momentos. Aprendi a olhar para os lados. Aprendi a prestar atenção e perceber as pessoas. Aprendi a construir sentimentos como se constroem brinquedos. Montando peça por peça, passando etapa por etapa, sem pressa. Eu vi, com você, que não se deve deixar as coisas de lado, por mais que elas se pareçam insignificantes. Assim, podemos viver momentos inesquecíveis que antes foram ignorados. Agora carrego uma mochila forte, com outras coisas dentro.
E por nós, meu bem, por nós… Ficarei, ficarás, ficaremos bem.
I.
“Estive pensando nessa coisa toda de ‘ser feliz’ e eu sinto que as pessoas se perdem quando elas pensam na felicidade como um destino. Estamos sempre pensando que algum dia seremos felizes, teremos aquele carro ou aquele emprego ou a pessoa de nossas vidas que vai resolver tudo. Mas felicidade é um estado. É uma condição e não um destino. É como estar cansando ou com fome, não é permanente. Isso vai e volta e está tudo certo. E sinto que se as pessoas pensassem dessa forma, elas encontrariam a felicidade muito mais vezes.”
Fenômenos psíquicos.
Sabe, quando você tem um sonho e ele se torna realidade? E aí ele acaba. Tudo acontece tão rápido, tão intenso. É como se num piscar de olhos a realidade se tornasse lúcida outra vez. Como se esse sonho voltasse para a imaginação, voltasse a ser sonho e não mais uma lembrança.
Começar as coisas sempre é fácil, difícil é terminá-las. Bem, a prova viva de que aquilo existiu é a saudade. Sentimos saudade porque de certa forma isso nos conforta e nos lembra o quão bom foi vivenciar esse sonho. A realidade não precisa mudar, não precisamos provar para ninguém o que presenciamos.
Ouvi dizer que as pessoas mudam, mas não concordo, sentimentos mudam, não pessoas. Tentei te ensinar como isso funciona. Eu poderia dizer que tudo acabou, mas essa história não tem fim, não se pontua. Ter novos sonhos não significa esquecer os antigos que, apesar de tornado reais, continuam sonhos. Mas nos falta coragem pra seguir em frente e deixar o que é “velho” pra trás, porém às vezes seguir em frente pode causar arrependimento. Então eu continuo aqui, sentindo aquela saudade que maltrata, que dói. É, o meu coração utiliza dos meus dedos para falar…
I.
Lembranças.
Eu cansei de me perguntar o motivo de a pessoa das nossas vidas sempre ir embora um dia. Cansei de tentar apagar todas as memórias que tinha com você, cansei de tentar entender, cansei de tudo. Quando você foi embora, eu não fui atrás para implorar sua volta, mas me sinto cansada por não ter tentado. Cansei de não sentir mais aquele sentimento de adrenalina que sentia só de pensar em não ter você. A vida te levou pra longe de mim, e você levou consigo até as minhas esperanças. E aí eu decidi apagar seus rastros, tirá-los de mim. Mas quando os levei embora, apaguei, também, aquela lembrança de que, um dia, eu fui feliz ao seu lado. Cansei das tentativas de fazer tudo dar certo. Cansei dos imprevistos da vida. Cansei de lembrar das besteiras que eu fiz. Me degastei quando tirei você da minha vida, apaguei momentos que sinto falta e eu cansei de sentir falta. Volta, vai?! Porque eu tou cansada até de cansar.
I.
Era uma vez…
Quem nunca acreditou em conto de fadas? Você pode até dizer: “eu nunca!”. Mas será que você nunca pensou em encontrar a pessoa da sua vida e ser “feliz para sempre”?
É, iludi-me com o brilho dos seus olhos, achei que eles me revelavam quem você era. Iludi-me com o seu sorriso, achei que ele me fazia promessas. Me enganei, e tive que aprender a viver com a impressão de que fui traída. Você era o meu equilíbrio, minha paz. “Não te preocupes, guardei as nossas cenas felizes comigo”, era o que eu ouvia de ti. Doeu. E aí eu ia dormir… dormia, dormia e dormia, pensando que ao despertar me sentiria melhor. Dias se passavam e eu continuava repetindo na minha cabeça: “Vamos lá, vai passar. Não é o fim do mundo.” E eu tentava cessar esse sentimento de raiva por ter deixado você ir, de culpa por ter feito você ir e de tristeza porque você se foi.
Minha cabeça sempre tentou me alertar, mas meu coração não deixava. Ele gostava mesmo de se iludir. Talvez meu coração não tenha prazer em sentir dor, claro. Porém eu não entendo o porquê de ele sempre procura-la. Eu tava me adaptando, tava conseguindo aprender que o melhor mesmo é se surpreender, deixar as expectativas de lado. Você foi a pessoa certa na hora errada. Acontece. Eu experimentava dizer para mim: “Não importa mais”. Eu me sentira fracassada quando você sumiu no horizonte. Talvez você continue sendo a pessoa certa agora e no futuro, talvez não. Espero o dia em que eu vou olhar para ti e ouvir você falar: “Não chores mais, eu voltei. Não vou embora, não vou te abandonar nunca mais”. Ah, meu bem, minhas crenças em contos de fadas sempre estiveram presentes e você foi a maior parte delas. Eu quero olhar e ver o brilho que via em você e quero falar-te: “Querido, deixa o passado pra depois… o futuro espera por nós dois!”. E aí, você sabe né?!
I.